Les meves lectures, els meus treballs acadèmics i algunes reflexions relacionades amb diferents branques de la lingüística o de la literatura. …O qualsevol altre tema que em desperti la curiositat.

Literatura gallega

Ressenya de Cardume, de Rexina Vega

Cardume, Rexina VegaCardume, Rexina Vega ens presenta un retrat de la societat de Vigo a finals de la dècada dels 30. El tema de la guerra civil, tan recorrent a la producció literària gallega dels últims anys, torna, una vegada més, a ser objecte de reflexió. En aquesta obra, però, la guerra civil no se’ns presenta com el cern de l’acció, sinó més aviat com un factor real i ineludible, un marc històric que condiciona el desenvolupament dels personatges i de la narració però que, malgrat això, no és el protagonista de la novel·la.

La lectura de Cardume es fa de la ma d’una nena que recorda moments de la vida dels seus familiars, i ho fa d’una forma no necessàriament organitzada: tal com passa amb els pensaments més profunds i els somnis, la nena atén a una lògica instintiva, aparentment no estructurada, deixant-se dur per les evocacions que li produeixen unes fotos i diversos objectes de família. Així és com es presenta al lector, de forma lenta i deliberadament desordenada, un laberint de personatges que s’entrecreuen i projecten en la ciutat de Vigo la imatge d’una Galícia atlàntica que mira cap a Amèrica, que viu la imposició d’un nou règim i que, malgrat tot, insisteix en lluitar pel desenvolupament d’una comunitat cultural i d’una identitat pròpies.

L’acció principal de la novel·la té lloc durant el primer terç del segle XX i té com a escenari de fons una ciutat de Vigo que és, simultàniament, cosmopolita, industrial i provinciana. En aquest context, Rexina Vega dóna forma i vida a uns personatges que representen totes aquelles persones anònimes que es van veure obligades a reaccionar davant d’una situació tan extrema com és la imposició d’una dictadura militar. Els dos protagonistes de la novel·la encarnen algunes d’aquestes persones: Urbano Moledo, gallegista nacionalista amb ideals d’esquerre i dramaturg de poc talent, seria afusellat després de la guerra civil sense haver pogut estrenar la seva obra més ambiciosa, mentre que Dámaso assumiria el paper de líder de la falange local. Però l’autora no pretén parlar estrictament sobre la guerra, com abans he dit. La seva intenció, més aviat, és reflexionar sobre la memòria i la seva pervivència al llarg de diverses generacions en el si de la família de la nena narradora. En aquest sentit, l’obra dóna a conèixer d’altres personatges que són, també ells, productes de llur època i, com a tal, reaccionen cadascun a la seva manera davant d’els esdeveniments: vet aquí, doncs, la besàvia, l’àvia, la Isolina, així com en Fasito, el dandi de principis dels anys 20, crític d’espectacles i petit empresari viguès que emigrarà als Estats Units on acabarà com a simple treballador en un barri obrer de New Jersey.

Cardume exigeix una lectura dedicada i atenta, sobretot durant la primera part de l’obra, ja que l’abundància de personatges que es mouen a l’hora per aquest entramat –qual banc de peixos o “cardume”, en gallec–, així com les freqüents analepsis i prolepsis que conformen la narrativa, poden dificultar la reconstrucció dels esdeveniments. Això no obstant, el bon gust narratiu de Rexina Vega, el delicat estil que empra en construir la seva trama i la densitat del seu univers ficcional garanteixen que aquesta lectura resultarà en una experiència absolutament gratificant.

Barcelona, 30 de juny de 2008

David Pinheiro

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Ressenya d’Os paxaros tamén migran ao sur, de Silverio Cerradelo

Ficha bibliográfica:

AUTOR: Silverio Cerradelo
TITULO: Os paxaros tamén migran ao sur
Vigo: Edicións Xerais de Galicia, 2007
ISBN: 978-84-9872-529-0
D.L.: VG. 65-2007
LINGUA ORIGINAL: Ed. orig. Galego
TITULO ORIGINAL E ANO DA PRIMEIRA EDIÇÃO: Os paxaros tamén migran ao sur, 2007
GENERO: narrativa

Fragmento representativo da obra:

[…] Heime lembrar sempre daquel momento.

Dou en pensar o que sinto cando os nosos corpos están espidos e xuntos, a acariciarse coa música… e téntolle explicar:

—O sexo non é só sensacións de pracer. O sexo poden ser infinitas sensacións. É o infinito humano.

A min mesmo sóame raro o que lle acabo de dicir; pero a Eva dáme un beixo na meixela.

Eu tamén lle dou un beixo.

Doume conta de que ela me entendeu, perfectamente.

Estamos moito máis preto do que eu pensaba. […]

Biografia do autor:

Natural de Ourense (1964), Silverio Cerradelo licenciou-se em Veterinária na Universidade Autónoma de Barcelona. Dirigiu o projecto educativo de sensibilização para o urso pardo Contacontos, nos Pirenéus e na cordilheira cantábrica, para o qual escreveu o conto A historia de Bavar e do Kiwi, os osos do hospital de fauna de Vallcalent. Também trabalhou como tradutor e jornalista. Publicou Os paxaros tamén migran ao sur (Xerais, 2007), pelo qual recebeu o Prémio Terra de Melide 2006. Encontra-se actualmente a terminar o curso de Filologia Galega na Universidade de Barcelona.

Sinopse da obra:

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Os paxaros tamén migran ao sur é um caderno de notas e memórias, uma espécie de diário escrito pela mão do Jordi, estudante de Biologia e natural de uma pequena aldeia do Delta do Ebro. O seu relato, intensamente pessoal e íntimo, narra-nos a experiência mais importante da sua vida: ter conhecido e amado a Eva, uma jovem alemã atraente e enigmática que o leva a questionar a sua quotidianidade e descobrir novas dimensões da vida e do amor, do sexo, da liberdade individual, e também da morte.

Recensão:

Em Os paxaros tamén migran ao sur, Silverio Cerradelo debruça-se sobre a inefabilidade do amor e a complexidade do ser humano frente a uma sociedade restritiva e sentenciadora.

O pássaro do título da obra remete ao personagem da Eva, uma jovem alemã residente em Barcelona que se dedica à prostituição e ao consumo de drogas. Jordi, por sua vez, é um estudante de Biologia absorto na elaboração da tese de fim de curso. A casualidade conduz a que estes personagens se conheçam, relacionem e apaixonem, dando lugar a um ponto de inflexão nas suas vidas que lhes permitirá conhecer e explorar ignotas dimensões do prazer, do sexo, da intimidade e da confiança mútua. De facto, o nome do personagem feminino não é de modo algum casual. Eva é a primeira mulher. Representa o corpo como objecto de desejo, como veículo para os prazeres ilícitos, e estabelece uma alusão ao mítico paraíso católico.

A história é-nos narrada pelo próprio Jordi, que consiste, assim, num narrador participativo. O trágico desenlace da relação que mantinha com Eva impele-o a iniciar um caderno de memórias com o objectivo de garantir a sobrevivência da história que ambos viveram. Escreve para não esquecer, como afirma repetidamente ao longo da obra, para que o tempo não destrua o que lhe parece uma experiência única e transcendente.

Os seus apontamentos possuem importantes marcas de oralidade, como se de um diário se tratasse, ou como se o autor dialogasse com ele próprio e com a Eva, e têm carácter introspectivo, revivendo em cada nota os sentimentos e as sensações que experimentou in situ. Sabemos, porque o Silverio o insinua na nota que antecede o relato, que este processo de rememoração é feito à luz de circunstâncias que podem adulterar a exactidão ou a claridade dos acontecimentos, como a distância temporal, a possível tendência a sublimar a relação amorosa, a dor que rodeia o processo de escrita, ou ainda o facto de que nem toda a informação passa ao papel, simplesmente porque o destinatário destas memórias é o próprio Jordi e há detalhes que não necessita recordar porque já os tem interiorizados.

Através do Jordi e da Eva conhecemos alguns dos personagens marginais que povoam a cidade, como as colegas de apartamento da Eva: Silvie e Tina. Entramos na noite dos bares e das discotecas, conhecemos o delta do Ebro e o ambiente da rua Marquês de Barberá do bairro chinês de Barcelona. A acção principal, porém, decorre a duas vozes entre as quatro paredes do quarto da Eva. É aqui onde os protagonistas se entregam a um prazer sem culpas nem preconceitos ou tabus. O sexo é, para eles, uma forma de conhecimento mútuo e próprio e de cultivar a intimidade. Jordi vive, através da Eva, o que se poderia considerar a sua verdadeira iniciação sexual, e os relatos que posteriormente faz destes momentos estão carregados de erotismo e sedução. Descreve os seus encontros com pormenor, sinceridade e com uma enorme naturalidade, já que, como ele próprio afirma, o sexo não é apenas sensações de prazer: é o infinito humano.


Ressenya de Lobos nas Illas, de Marilar Aleixandre

Ficha bibliográfica:

AUTORA: Marilar Aleixandre
TÍTULO: Lobos nas Illas
Vigo: Edicións Xerais de Galicia, 1996
ISBN: 84-7507-982-2
D.L.: VG. 212-1996
LINGUA ORIGINAL: Ed. orig. Galego
TÍTULO ORIGINAL E ANO DA PRIMEIRA EDIÇÃO: Lobos nas Illas, 1996
GÉNERO: narrativa

Um fragmento representativo da obra:

[…] Nós contestamos que se equivocaban, que se para eles Lobeira era o país vivido, para nós era o país imaxinado, a paisaxe onde situabamos mentalmente todas as historias que nos relataban de nenos, o noso bosque encantado, as illas que escondían tesouros. […]

Biografia da autora:

Natural de Madrid, Marilar Aleixandre adoptou o galego como língua literária e reside na Galiza desde 1973, onde combina a actividade literária com a docência na Universidade de Santiago de Compostela. A sua ampla produção literária abrange tanto o público infanto-juvenil (expedición do Pacífico, prémio Merlín 1994) como o adulto (Teoría do Caos, prémio Xerais 2001) e encontra-se traduzida em diversos idiomas.

Sinopse da obra:

lobos-nas-illasLobos nas Illas narra-nos algumas histórias de uma família que se encontra dispersa por Vigo, Santiago, Barcelona e Madrid. A aldeia galega de Lobeira é, porém, o eixo de um mundo ancestral e mítico que os une e define. A morte da avó Lucinda conduz ao reencontro desta família na velha casa de Lobeira e nos poucos dias que dura o ritual funerário, entre pausas e silêncios, em redor da mesa da cozinha ou no pátio, fumando um cigarro, entrecruzam-se histórias e segredos, reavivam-se conflitos, removem-se os esqueletos no quarto dos armários e confirma-se que Lobeira é, para estes personagens, “o centro do mundo por um decreto natural”.

Recensão:

A morte de uma anciã, a poucos dias do seu octogésimo aniversário, reúne duas gerações de uma família que a casualidade quis dispersa. São nómadas modernos que vivem, estudam, trabalham e constituem novas famílias em cidades onde não nasceram, cada um imerso na sua loucura pessoal. O reencontro desta família traz à memória ecos do passado, lembranças antigas e algumas rivalidades quase esquecidas. Marilar Aleixandre lança, assim, um pretexto argumental aparentemente simples para tecer uma manta de retalhos densa e intrincada onde se reflecte um dos seus temas recorrentes: a complexidade das relações familiares.

Lobos nas Illas funciona como um prisma. Desdobra a luz em mil centelhas para voltar a reuni-las num único feixe direccionado e coerente. Os vinte e três relatos que constituem a obra assumem a forma de contos, pequenas narrativas dotadas de total autonomia que contrapõem permanentemente universos antagónicos como o mundo rural e o urbano, o antigo e o moderno, o presente e o passado. Ao leitor, porém, exige-se o exercício de estabelecer os laços que unem estes relatos, revelando-se, assim, um mosaico angular e amplo em perspectivas: o seu conjunto dá forma a um complexo jogo de espelhos em que cada história, cada personagem e, em última análise, cada vivência se vê de alguma forma reflectida e impressa nas restantes. Lobeira representa o ponto de fuga onde converge uma multiplicidade de universos pessoais e constitui o cenário da memória colectiva dos personagens, uma terra embrionária e visceral onde dificilmente se distingue o realmente vivido do idealizado.

Em Lobos nas Illas, Marilar Aleixandre apresenta-nos uma história que é, ao fim ao cabo, a soma de muitas histórias e dá testemunho das repercussões que temos na vida dos que nos rodeiam. Os personagens são-nos apresentados individualmente através de relatos que deambulam entre a esfera do sonhado e do real: o quarto fechado e secreto da casa antiga e as dunas da praia por onde passeia a morte; o diário detectivesco de um filho e a correspondência postal de um amante; as experiências pessoais narradas em primeira pessoa e uma tese de doutoramento obsessiva e impessoal…

A autora indica-nos que Lobeira não existe fora das páginas deste livro. Talvez exista, porém, com outros nomes – aqueles que trazemos tatuados na memória e residem no nosso imaginário individual.

Barcelona, 20 de Janeiro de 2008

David Pinheiro


Exercici d’informe editorial sobre l’obra Arraianos de Méndez Ferrín

arraianos

ARRAIANOS

Informe Editorial

Xosé Luís Méndez Ferrín, autor

Arraianos consiste num conjunto de dez contos inspirados numa zona geográfica particular entre a Galiza e Portugal e nos seus habitantes: os arraianos, os que vivem na Raia, um triângulo de terra fronteiriça de limites difusos “Por onde non lle pasou Xesús Cristo”, segundo palavras de um personagem de Lobosandaus, o primeiro dos dez contos, referindo-se nomeadamente às terras de Nigueiroá.

Em Arraianos deparamo-nos com o protagonista do primeiro conto, um professor de perfil urbano e cultivado, dotado de uma mente lógica e analítica, que vê as suas convicções fraquejarem sob o poder destas terras e destas gentes. O segundo conto evoca uma ruralidade gótica e fantástica, em que a natureza é domínio de forças primordiais e instintivas e a noite, traiçoeira, sucumbe ao encanto das meigas.

O terceiro conto, lúgubre, triste e claustrofóbico, insere o leitor na esfera privada de dois personagens que padecem de patologias diferentes e se mantêm, por este motivo, à margem da vida. Rejeitado um e auto-excluído o outro, estes personagens partilham uma necessidade mútua e enfermiça, em que aquilo que os une é também o que os distancia. O quarto conto apresenta-nos o idealismo romântico e frustrado do Exclaustrado de Diabelle, um nobre condenado à morte por atentar contra quem se opunha à incorporação do Couto Mixto a Portugal, a meados do século XIX. O quinto conto remete directamente ao período de repressão das forças policiais durante a ditadura franquista, centrando-se no calvário particular de uma menina de onze anos que vê a sua família perseguida e ameaçada pela Brigadilla da Garda Civil. O sexto conto consiste na transcrição literal de um manuscrito narrativo em português traduzido para galego, segundo indica Ferrín, e que explica, ao som da Marcha Turca de Mozart, a rivalidade mortal entre um coronel e um tenente no Castelo das Poulas. O conto seguinte relata, numa linguagem crua e sem eufemismos, a violência assassina de uma quadrilha falangista nos primeiros anos do pós-guerra e é, provavelmente, o mais violento dos relatos que constituem Arraianos. O oitavo descreve a visão apocalíptica de Adosinda (filha do rei Alfonso I de Espanha) e Mumadona (tia do rei Ramiro II de Leão) durante uma viagem em palanquim de através do deserto das poulas, na qual a professora Luísa Armesto projecta um paralelismo com a sua vida e um sentimento de culpa que a impede viver plenamente. O penúltimo conto narra o sonho de um militante anti-franquista que anseia um desenrolar histórico diferente. Num momento de pura inocência, enquanto protege, emboscado, os seus companheiros que baixam à cidade em busca de víveres, o guerrilheiro recorda os seus amigos e camaradas mortos ou fugidos e sonha um mundo diferente. Finalmente, o décimo conto, com o qual termina este livro, desvenda as paixões intensas, tormentosas e proibidas que vivem quatro elementos de uma família no cenário sombrio e inquietante da Quinta Velha do Arranhão.

Apesar de incorporar, nos seus relatos, factores contextuais identificáveis e de importante relevância histórica, como a situação da Galiza durante a Guerra Civil e a pós-guerra, Ferrín transcende-os ao serviço de uma unidade conceptual e, sobretudo, da perspectiva personalizada e humanizadora com que retrata os seus personagens.

Xosé Luís Méndez Ferrín, nascido em Ourense em 1938, enquadra-se no movimento da Nova Narrativa Galega e isso define claramente as tonalidades com que pinta os seus relatos: uso frequente do monólogo interior, tempo e espaço indeterminados, importância crescente do mundo onírico, inadequação dos personagens a um mundo que se lhes apresenta adverso e violento, os protagonistas são frequentemente anti-heróis, etc. Em Arraianos, Ferrín centra-se no universo diversificado e contrastante, porém sempre muito pessoal, de personagens que vivem, aparentemente, à margem do mundo. São criaturas intensamente marcadas pela condição por vezes primária, austera e selvagem da própria terra, onde a ruralidade é não só uma forma de vida mas também uma forma de ser. Personagens e espaços vitais existem num limbo onde realidade e ficção se confundem, onde a natureza e as convenções são convergentes e divergentes em partes iguais, e onde o fantástico desempenha um papel fundamental na recriação de uma Galiza idealizada e mítica, arreigada a uma tradição sociocultural que a justifica, identifica e diferencia. A descrição deste universo faz-se como através de um prisma que desdobra a luz em todos os seus matizes. Assim, cada conto parece dar vida a um matiz em particular, desenvolvendo-se sobre temas tão variados como a superstição, o fervor religioso, as crenças populares, a violência e a repressão, a exclusão, o poder mítico da natureza, o sobrenatural, a paixão e a morte.

A nível estilístico, Ferrín utiliza ritmos e estilos narrativos diferentes e variados ao longo da obra. A narração chega-nos quer através de um narrador omnisciente quer pela voz de um personagem que se expressa em primeira pessoa, ou ainda através de combinações de primeira e terceira pessoa que marcam dois planos de consciência diferentes. Por vezes o discurso assume formas especialmente interessantes, como é o caso da correspondência postal entre o protagonista e o seu tio e protector, com cuja narração se inicia a obra, ou em Botas de Elástico, o quinto conto, que consiste numa entrevista da qual apenas temos acesso às respostas da pequena protagonista (embora seja difícil determinar a sua idade aquando da entrevista), entrecortadas pontualmente por algumas intervenções de um narrador omnisciente que completa a informação que a personagem desconhece.

Ferrín expressa-se através de formas dialectais do galego arraiano e, ocasionalmente, sobretudo no último conto, em português standard. No que respeita ao nível da linguagem, parece-me esclarecedor citar um comentário do próprio autor aquando da edição de Arraianos, em 1991:

[…] O léxico de Cabanillas, Otero, Risco, Cunqueiro, Aquilino, Celso Emilio, etc., non está nos diccionarios. O que eu utilizo tampouco. Compételle aos responsables da gramática, da lexicoloxía, da didáctica da lingua correxer a situación. Non desde logo aos escritores que fan o que teñen que facer: mergullarse a bucío na lingua das camadas que a falan e na lingua dos textos do pasado, tamén viva e nosa. […] (1)

A título de conclusão, permito-me opinar o seguinte: Xosé Luís Méndez Ferrín expressa-se de forma equilibrada e sagaz e as suas palavras adquirem a importância que lhe outorga uma maturidade enriquecida pela vida e a experiência. Apesar da dificuldade inerente às idiossincrasias do idioma dialectal utilizado, a leitura desta obra é cativante e frequentemente incómoda, duas características que reiteram os adjectivos que atribuí ao autor. É, portanto, minha profunda convicção que a obra de Ferrín é de relevância e qualidade indiscutíveis para o desenvolvimento rico e saudável do repertório literário galego.

Barcelona, 08 de Outubro de 2007

David Pinheiro

Bibliografia

VILAVEDRA Dolores, Historia da Literatura Galega, Vigo, Editorial Galaxia S.A., 1999.

FRANCISCO FERNÁNDEZ Rei, SANTAMARINA FERNÁNDEZ Antón, Ramón Cabanillas, Manuel Antonio e o Mar da Arousa, Vigo, Real Academia Galega (Ed.), Editorial Galaxia S.A. (Prod.), 1999.

Revista Arraianos, nº 1, Asociación Arraianos (Ed.), Agosto 2004.

Arraianos http://www.arraianos.com

Cultura Galega http://www.culturagalega.org


(1) Citação extraída de uma entrevista a Méndez Ferrín em Novidades Xerais 9 (1991)