Les meves lectures, els meus treballs acadèmics i algunes reflexions relacionades amb diferents branques de la lingüística o de la literatura. …O qualsevol altre tema que em desperti la curiositat.

Ressenya d’Os paxaros tamén migran ao sur, de Silverio Cerradelo


Ficha bibliográfica:

AUTOR: Silverio Cerradelo
TITULO: Os paxaros tamén migran ao sur
Vigo: Edicións Xerais de Galicia, 2007
ISBN: 978-84-9872-529-0
D.L.: VG. 65-2007
LINGUA ORIGINAL: Ed. orig. Galego
TITULO ORIGINAL E ANO DA PRIMEIRA EDIÇÃO: Os paxaros tamén migran ao sur, 2007
GENERO: narrativa

Fragmento representativo da obra:

[…] Heime lembrar sempre daquel momento.

Dou en pensar o que sinto cando os nosos corpos están espidos e xuntos, a acariciarse coa música… e téntolle explicar:

—O sexo non é só sensacións de pracer. O sexo poden ser infinitas sensacións. É o infinito humano.

A min mesmo sóame raro o que lle acabo de dicir; pero a Eva dáme un beixo na meixela.

Eu tamén lle dou un beixo.

Doume conta de que ela me entendeu, perfectamente.

Estamos moito máis preto do que eu pensaba. […]

Biografia do autor:

Natural de Ourense (1964), Silverio Cerradelo licenciou-se em Veterinária na Universidade Autónoma de Barcelona. Dirigiu o projecto educativo de sensibilização para o urso pardo Contacontos, nos Pirenéus e na cordilheira cantábrica, para o qual escreveu o conto A historia de Bavar e do Kiwi, os osos do hospital de fauna de Vallcalent. Também trabalhou como tradutor e jornalista. Publicou Os paxaros tamén migran ao sur (Xerais, 2007), pelo qual recebeu o Prémio Terra de Melide 2006. Encontra-se actualmente a terminar o curso de Filologia Galega na Universidade de Barcelona.

Sinopse da obra:

c147-os-paxaros-tamen-mig

Os paxaros tamén migran ao sur é um caderno de notas e memórias, uma espécie de diário escrito pela mão do Jordi, estudante de Biologia e natural de uma pequena aldeia do Delta do Ebro. O seu relato, intensamente pessoal e íntimo, narra-nos a experiência mais importante da sua vida: ter conhecido e amado a Eva, uma jovem alemã atraente e enigmática que o leva a questionar a sua quotidianidade e descobrir novas dimensões da vida e do amor, do sexo, da liberdade individual, e também da morte.

Recensão:

Em Os paxaros tamén migran ao sur, Silverio Cerradelo debruça-se sobre a inefabilidade do amor e a complexidade do ser humano frente a uma sociedade restritiva e sentenciadora.

O pássaro do título da obra remete ao personagem da Eva, uma jovem alemã residente em Barcelona que se dedica à prostituição e ao consumo de drogas. Jordi, por sua vez, é um estudante de Biologia absorto na elaboração da tese de fim de curso. A casualidade conduz a que estes personagens se conheçam, relacionem e apaixonem, dando lugar a um ponto de inflexão nas suas vidas que lhes permitirá conhecer e explorar ignotas dimensões do prazer, do sexo, da intimidade e da confiança mútua. De facto, o nome do personagem feminino não é de modo algum casual. Eva é a primeira mulher. Representa o corpo como objecto de desejo, como veículo para os prazeres ilícitos, e estabelece uma alusão ao mítico paraíso católico.

A história é-nos narrada pelo próprio Jordi, que consiste, assim, num narrador participativo. O trágico desenlace da relação que mantinha com Eva impele-o a iniciar um caderno de memórias com o objectivo de garantir a sobrevivência da história que ambos viveram. Escreve para não esquecer, como afirma repetidamente ao longo da obra, para que o tempo não destrua o que lhe parece uma experiência única e transcendente.

Os seus apontamentos possuem importantes marcas de oralidade, como se de um diário se tratasse, ou como se o autor dialogasse com ele próprio e com a Eva, e têm carácter introspectivo, revivendo em cada nota os sentimentos e as sensações que experimentou in situ. Sabemos, porque o Silverio o insinua na nota que antecede o relato, que este processo de rememoração é feito à luz de circunstâncias que podem adulterar a exactidão ou a claridade dos acontecimentos, como a distância temporal, a possível tendência a sublimar a relação amorosa, a dor que rodeia o processo de escrita, ou ainda o facto de que nem toda a informação passa ao papel, simplesmente porque o destinatário destas memórias é o próprio Jordi e há detalhes que não necessita recordar porque já os tem interiorizados.

Através do Jordi e da Eva conhecemos alguns dos personagens marginais que povoam a cidade, como as colegas de apartamento da Eva: Silvie e Tina. Entramos na noite dos bares e das discotecas, conhecemos o delta do Ebro e o ambiente da rua Marquês de Barberá do bairro chinês de Barcelona. A acção principal, porém, decorre a duas vozes entre as quatro paredes do quarto da Eva. É aqui onde os protagonistas se entregam a um prazer sem culpas nem preconceitos ou tabus. O sexo é, para eles, uma forma de conhecimento mútuo e próprio e de cultivar a intimidade. Jordi vive, através da Eva, o que se poderia considerar a sua verdadeira iniciação sexual, e os relatos que posteriormente faz destes momentos estão carregados de erotismo e sedução. Descreve os seus encontros com pormenor, sinceridade e com uma enorme naturalidade, já que, como ele próprio afirma, o sexo não é apenas sensações de prazer: é o infinito humano.

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