Les meves lectures, els meus treballs acadèmics i algunes reflexions relacionades amb diferents branques de la lingüística o de la literatura. …O qualsevol altre tema que em desperti la curiositat.

Ressenya de Lobos nas Illas, de Marilar Aleixandre


Ficha bibliográfica:

AUTORA: Marilar Aleixandre
TÍTULO: Lobos nas Illas
Vigo: Edicións Xerais de Galicia, 1996
ISBN: 84-7507-982-2
D.L.: VG. 212-1996
LINGUA ORIGINAL: Ed. orig. Galego
TÍTULO ORIGINAL E ANO DA PRIMEIRA EDIÇÃO: Lobos nas Illas, 1996
GÉNERO: narrativa

Um fragmento representativo da obra:

[…] Nós contestamos que se equivocaban, que se para eles Lobeira era o país vivido, para nós era o país imaxinado, a paisaxe onde situabamos mentalmente todas as historias que nos relataban de nenos, o noso bosque encantado, as illas que escondían tesouros. […]

Biografia da autora:

Natural de Madrid, Marilar Aleixandre adoptou o galego como língua literária e reside na Galiza desde 1973, onde combina a actividade literária com a docência na Universidade de Santiago de Compostela. A sua ampla produção literária abrange tanto o público infanto-juvenil (expedición do Pacífico, prémio Merlín 1994) como o adulto (Teoría do Caos, prémio Xerais 2001) e encontra-se traduzida em diversos idiomas.

Sinopse da obra:

lobos-nas-illasLobos nas Illas narra-nos algumas histórias de uma família que se encontra dispersa por Vigo, Santiago, Barcelona e Madrid. A aldeia galega de Lobeira é, porém, o eixo de um mundo ancestral e mítico que os une e define. A morte da avó Lucinda conduz ao reencontro desta família na velha casa de Lobeira e nos poucos dias que dura o ritual funerário, entre pausas e silêncios, em redor da mesa da cozinha ou no pátio, fumando um cigarro, entrecruzam-se histórias e segredos, reavivam-se conflitos, removem-se os esqueletos no quarto dos armários e confirma-se que Lobeira é, para estes personagens, “o centro do mundo por um decreto natural”.

Recensão:

A morte de uma anciã, a poucos dias do seu octogésimo aniversário, reúne duas gerações de uma família que a casualidade quis dispersa. São nómadas modernos que vivem, estudam, trabalham e constituem novas famílias em cidades onde não nasceram, cada um imerso na sua loucura pessoal. O reencontro desta família traz à memória ecos do passado, lembranças antigas e algumas rivalidades quase esquecidas. Marilar Aleixandre lança, assim, um pretexto argumental aparentemente simples para tecer uma manta de retalhos densa e intrincada onde se reflecte um dos seus temas recorrentes: a complexidade das relações familiares.

Lobos nas Illas funciona como um prisma. Desdobra a luz em mil centelhas para voltar a reuni-las num único feixe direccionado e coerente. Os vinte e três relatos que constituem a obra assumem a forma de contos, pequenas narrativas dotadas de total autonomia que contrapõem permanentemente universos antagónicos como o mundo rural e o urbano, o antigo e o moderno, o presente e o passado. Ao leitor, porém, exige-se o exercício de estabelecer os laços que unem estes relatos, revelando-se, assim, um mosaico angular e amplo em perspectivas: o seu conjunto dá forma a um complexo jogo de espelhos em que cada história, cada personagem e, em última análise, cada vivência se vê de alguma forma reflectida e impressa nas restantes. Lobeira representa o ponto de fuga onde converge uma multiplicidade de universos pessoais e constitui o cenário da memória colectiva dos personagens, uma terra embrionária e visceral onde dificilmente se distingue o realmente vivido do idealizado.

Em Lobos nas Illas, Marilar Aleixandre apresenta-nos uma história que é, ao fim ao cabo, a soma de muitas histórias e dá testemunho das repercussões que temos na vida dos que nos rodeiam. Os personagens são-nos apresentados individualmente através de relatos que deambulam entre a esfera do sonhado e do real: o quarto fechado e secreto da casa antiga e as dunas da praia por onde passeia a morte; o diário detectivesco de um filho e a correspondência postal de um amante; as experiências pessoais narradas em primeira pessoa e uma tese de doutoramento obsessiva e impessoal…

A autora indica-nos que Lobeira não existe fora das páginas deste livro. Talvez exista, porém, com outros nomes – aqueles que trazemos tatuados na memória e residem no nosso imaginário individual.

Barcelona, 20 de Janeiro de 2008

David Pinheiro

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